
Em defesa das raízes africanas e da liberdade de crença, a Câmara de Mogi das Cruzes promoveu, nesta segunda-feira (23), a 4ª edição da Medalha “Paz e Liberdade”, reunindo lideranças religiosas, culturais e representantes da sociedade civil, no plenário do legislativo mogiano.
A honraria, proposta pela vereadora Inês Paz (PSOL), tem como foco a valorização das religiões de matrizes africanas e a difusão da cultura negra. A iniciativa também busca evidenciar a importância da laicidade do Estado e enfrentar o histórico de perseguição e marginalização desses cultos.

Durante a solenidade, realizada no plenário do Legislativo, autoridades e representantes religiosos destacaram a importância da ocupação de espaços públicos como forma de preservar as raízes culturais do povo brasileiro. As falas reforçaram ainda o papel do Candomblé e da Umbanda na construção da diversidade cultural e na resistência ao preconceito.
A escolha do período da premiação faz referência ao dia 21 de março, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. A data rememora o massacre ocorrido em 1960, na África do Sul, quando 69 pessoas negras foram mortas durante um protesto pacífico contra o regime de segregação racial.
A vereadora Inês Paz ressaltou a importância da diversidade e da representatividade. “Essa casa cheia representa o nosso país, que é o país da diversidade. Sabemos que ela ainda não se faz presente no dia a dia em razão do preconceito, do racismo e do racismo religioso”, afirmou.
O vereador Rodrigo Romão (PCdoB) destacou o compromisso institucional. “Essa iniciativa reafirma o respeito à diversidade, à liberdade religiosa e à valorização da cultura negra, pilares fundamentais de uma sociedade democrática”, disse.
Representando a prefeita Mara Bertaiolli (PL), a secretária adjunta de Cultura, Tereza Christina, enfatizou o simbolismo da premiação. “O prêmio chega à quarta edição como um símbolo de resistência, coragem e respeito ao outro”, pontuou.
O babalorixá Danilo de Oxalá também homenageou os agraciados. “São pessoas que constroem legado, orientam e ensinam, sendo verdadeiros mestres em suas comunidades”, declarou.
Ao todo, 15 personalidades foram homenageadas nesta edição, entre lideranças religiosas, representantes culturais e agentes públicos. A cerimônia também contou com um momento especial dedicado às chamadas “Crianças do Axé”, destacando a importância da continuidade das tradições e da preservação da memória ancestral.
A medalha entregue aos homenageados é confeccionada em bronze e traz, em seu anverso, a imagem do “ofá de Oxóssi” (arco e flecha), enquanto o reverso exibe o brasão de Mogi das Cruzes. O conjunto é acompanhado por fita nas cores verde, ouro e vermelho, que remetem às bandeiras de países do continente africano.
A solenidade reuniu ainda lideranças religiosas, autoridades e representantes da sociedade civil, reforçando o compromisso coletivo com o respeito, a diversidade e a liberdade de crença.
Edição: Tribuna de Suzano
Fonte: Comunicação CMMC
Fotos: Divulgação/CMMC/Rodrigo Niemeyer
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